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13 Fev

Deixa a banda passar

Histórias de quem sente saudade de outros carnavais e de quem cultiva a tradição das marchinhas na família

Por | Eliseu Barreira Junior e Stephany Tiveron
Fotos | Arquivos pessoais

Trinta e seis contêineres, 200 caixas acústicas, 3.000 m de grade, 110 kg de prego, 100 kg de arame e 1,5 MW em iluminação. Esses são alguns dos números referentes à organização do sambódromo do Anhembi – onde acontecem os desfiles das escolas de samba – divulgados pela Prefeitura este ano. Mas, o carnaval da cidade de São Paulo é muito maior que isso.

carnaval-antigoEm 2010, 25 blocos desfilam pelas ruas fazendo a alegria dos foliões, principalmente, nas duas semanas que antecedem a festa. Destes, cerca de 13 são filiados à Abasp –  Associação das Bandas Carnavalescas de São Paulo – e recebem apoio governamental para a sua realização. Segundo a assessoria de imprensa da entidade, em um único desfile participam, em média, 4.000 pessoas.

“Muita gente junta”, na opinião de Silvia Guerra (na foto, a segunda ao fundo da direita para a esquerda), 45 anos, que diz não ter mais paciência para a folia. “Quando era adolescente, saía nos desfiles e ainda virava a noite pulando nos bailes. Agora, nem os bailes são mais a mesma coisa”. Ela tem razão. Atualmente, apenas alguns bares e raríssimos clubes oferecem o evento nos moldes tradicionais. Por causa disso, o carnaval acaba despertando saudades em muita gente.

Saudosas memórias

É pelo rádio, presente em quase 90% dos domicílios brasileiros, que a paulista Eliana Ferreira, 53 anos, escuta com saudade as marchinhas de carnaval que animaram sua adolescência. Às vésperas da folia que arrasta multidões pelas ruas do país, a moradora do município de Poá (localizado a 28 km da cidade de São Paulo e habitado por pouco mais de 112 mil pessoas) ouve pelo velho aparelho analógico de rádio colocado no balcão de sua cozinha “Cabeleira do Zezé”, “A Jardineira”“Máscara negra”. Alguns dos sucessos carnavalescos que a transportam para 1972, quando tinha 15 anos.

Foi naquele ano que Maria da Conceição, mãe de Eliana, levou a filha pela primeira vez a um baile de carnaval. Se ainda estivesse viva, dona Preta, como Maria era carinhosamente chamada pela família e pelos amigos, teria completado 78 anos em janeiro. A lembrança do episódio deixa Eliana visivelmente emocionada. Nos bailes de carnaval que frequentava, ela se divertia com as amigas que moravam no seu bairro, com sua irmã Maria da Dores e, principalmente, com a mãe. “Era gostoso ficar pulando as quatro noites até não aguentar mais”, conta. Eliana faz questão de enfatizar que o “ambiente era familiar”. “Cada um brincava o carnaval, dançava, se divertia. A festa não tinha a conotação sexual que possui hoje. As pessoas se respeitavam.”

Ao completar 21 anos, Eliana se casou com Humberto Ferreira, com quem vive desde 1979. A partir daí, deixou de ir aos bailes da cidade. Bem-humorada, ela explica que o marido nunca gostou de carnaval. “Toda vez que convidavam a gente para um baile, ele falava que estava com dor de dente (risos). O Beto sempre gostou de ver o carnaval pela televisão. Para não arrumar briga, deixei de ir às festas.”

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